O menino e o Mundo – O reconhecimento da animação brasileira

      O filme o Menino e o mundo, não é o tipo de filme que apenas se assiste, mas que se sente, inteiramente artístico. O universo artesanal multicolorido, por giz, lépis e colagens criado por Alê Abreu, transmite a sensibilidade lúdica que uma criança percebe o mundo a sua volta, contando uma história simples, a jornada de um menino em busca do pai e que pelo caminho descobrirá um mundo de desigualdade social, consumismo desenfreado e desemprego.

        A sonoplastia fantasiosa é outro ponto forte que ajuda a enriquecer ainda mais a obra, onde maquinas possuem sons semelhantes a de animais.  Uma outra coisa curiosa sobre o som, é que as falas foram gravadas e inseridas de trás para frente inclusive as letras das músicas, que por falar em música a trilha é impecável, música é algo que no filme possui cor e forma, harmonia singular entre imagem e som.

      Por mérito foi aclamado internacionalmente e nacionalmente, ganhou em duas categorias no Festival de Annecy e no Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, e em uma categoria Annie Awards e hoje podemos ter a primeira estatueta do Oscar. Claro que os concorrentes são de peso, principalmente Divertidamente da Pixar. Mesmo que a animação não ganhe, a indicação é um marco histórico no cinema nacional, e trará consequências positivas para o mercado brasileiro, claro que se ganhar será melhor ainda.

         Porém o que me entristece é que o maior desafio do cinema nacional não é sermos reconhecidos lá fora, mas é sermos reconhecidos pelos próprios brasileiros, a bilheteria de o Menino e o mundo, aqui levou por volta de 30 mil espectadores, na França atingido em torno de 100 mil. Temos filmes de qualidade, afinal para ser um bom filme não é necessário termos explosões e milhares de efeitos especiais. Há beleza na simplicidade, quanto mais valorizarmos o que é nosso, mais teremos apoio e investimento.

Autor: M.F. Martins

Fontes:O_Menino e o Mundo,animamundi

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